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Neste artigo para o Jornal O Serrano, Henrique Vieira Filho conta a rica história do cinema em Serra Negra, desde os primeiros cinemas mudos até a produção de curtas-metragens contemporâneos que até concorrem em festivais internacionais! Uma viagem nostálgica e inspiradora pelo universo cinematográfico da cidade!
Publicado resumido no Jornal O SERRANO, Nº 6433 de 06/12/2024
As poltronas aveludadas, o cheiro de pipoca e a escuridão da sala. Quem nunca se emocionou com uma história contada no cinema?
Em dezembro de 1909, Serra Negra inaugurou o Joly Cinema e, não muito depois, tivemos o Cinema Central.
O livro “Alcebíades Disse (e a História Confirma)” nos conta que era a época do cinema mudo e as exibições contavam com uma verdadeira orquestra ao vivo para musicalizar os filmes e entreter nos intervalos.
A projeção era feita por trás da tela, que precisava ser molhada de tempos em tempos para manter a nitidez, função esta exercida pelo Castrim, figura folclórica da cidade, que também era encarregado de pintar os cartazes publicitários, como por exemplo: “Hoje grande cuceco (sic) no Cinema Central!”. Dizem que sua grafia “criativa” fazia mais “sucesso” (palavra que se deduz do cartaz…) que muitos filmes!
Com o passar dos anos, tivemos ainda o Cinema Recreio Serrano e o Cine Democrata e, em 1934, “matando” todos os cinemas mudos, inaugurou o Cine Teatro República, trazendo para a cidade os filmes sonorizados. Tivemos ainda o Cine Rádio. o Cine Cardeal e o cinema no Centro de Convenções. Todos estes empreendimentos encerraram suas atividades.
Verdade seja dita, a decadência das grandes salas de cinema é um fenômeno global. A concorrência da televisão e, mais recentemente, da internet, com suas plataformas de streaming, é um fator inegável. A comodidade de assistir a filmes em casa, a qualquer hora, com uma variedade quase infinita de títulos, atraiu muitos espectadores.
Em uma época em que a tela do celular disputa a nossa atenção com a tela gigante do cinema, vale a pena refletir sobre a trajetória desse meio de entretenimento que marcou gerações.
Aqui, foram 115 anos de sonhos, emoções e histórias projetadas em uma tela no escuro. Será que o cinema, como conhecemos, ainda tem futuro?
Creio que uma alternativa viável é o meio-termo: os cines-clubes, como é o caso do Kanemo e o Cinema Itinerante, como o da Sociedade Das Artes e da Residência Artística conseguem manter a chama viva, com mostras de filmes selecionados.
Graças ao incentivo da Lei Paulo Gustavo, nossa cidade está produzindo vários documentários curtas e médias metragens, além de webséries. Modéstia à parte, dois que eu recém lancei (“Cid Serra Negra – 100 Anos do Artista Que Levou o Saci para a Igreja” e “Iara, Guardiã de Nossas Águas”) concorrem no Cannes Shorts Awards, um dos mais prestigiados festivais de cinema do mundo!
Com tantos talentos surgindo e com a produção audiovisual local em constante crescimento, por que não sonharmos em ter um espaço dedicado a exibir essas obras?
Um cinema que seja mais do que uma sala escura e sim, um ponto de encontro para cinéfilos, um local para celebrar a criatividade e a cultura da nossa cidade.
O mundo está sempre em busca de novas histórias. E por que não as nossas? O futuro do cinema está nas mãos de quem sonha!
Henrique Vieira Filho é artista visual, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “Sociedade Das Artes” (SNIIC: SP-21915), diretor de arte, produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTB 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP) e terapeuta holístico (CRT 21001).

Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “Sociedade Das Artes” (SNIIC: SP-21915), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), professor de artes visuais, pós-graduado em psicanálise e em perícia técnica sobre artes.
http://lattes.cnpq.br/2146716426132854
https://orcid.org/0000-0002-6719-2559
Contando com cerca de 60 exposições entre individuais e coletivas, em galerias, polos culturais e museus em diversos países, suas obras estão disponíveis tanto em galerias consagradas, como a Saatchi Art, quanto em sua galeria própria, a Sociedade Das Artes, até os mais singelos espaços alternativos.
Atualmente radicado no interior de SP, dedica-se, em especial, ao Slow Art Movement, que prega a apreciação afetiva, “sem pressa” das artes, para todas as camadas da sociedade e ao Projeto Re Arte, em que abre espaço a novos talentos artísticos e à integração das mais diversas formas de artes, por meio de mixagem e releituras.
Editor, autor, pesquisador e parecerista nos periódicos Artivismo (ISSN 2763-6062), Revista TH (ISSN 2763-5570) e Holística (ISSN 2763-7743), conta com centenas de artigos publicados e vinte livros, além de colaborações, entrevistas e consultorias para Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, Diário Popular, Jornal O Serrano, Revista Elle, Revista Claudia, Revista Máxima, Revista Veja, Revista Planeta, Revista Capricho, Revista Contigo, Revista Saúde, Revista Boa Forma, Rádio Globo, Rádio Gazeta, Rádio Eldorado, Rádio Nova, TV Globo (Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, Fantástico, etc.), TV Gazeta (Telejornal, Mulheres, Manhã na Paulista), TV Record, SBT (Telejornal, Jô Soares Onze e Meia, etc.), TV Jovem Pan (Telejornal, Opinião Livre, etc.), TV Cultura, TV Bandeirantes, Rede Mulher, TV Rio.