Arquivistas da Alma Humana

Nestor Leme como Forrest Gump - Homenagem - Ilustração: Henrique Vieira Filho

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Nestor Leme como Forrest Gump - Homenagem - Ilustração: Henrique Vieira Filho

Existe uma linhagem de guardiões do saber que não usam luvas brancas e jalecos, mas que carregam pastas de arquivos e uma memória de causar inveja a qualquer computador de última geração! São os que eu gosto de chamar de Arquivistas da Alma Humana! 

Enquanto a história oficial, aquela dos livros didáticos, se perde em datas frias e assinaturas burocráticas, esses mestres da narrativa entendem que o que realmente importa é o “causo” — aquela experiência que humaniza o passado e o impede de virar apenas estatística.

Em Serra Negra, temos o nosso próprio “Forrest Gump”, e ele atende pelo nome de Nestor Leme. Mas, veja bem, o paralelo para por aí: ao contrário do personagem de Tom Hanks, o Nestor tem uma mente afiada como uma navalha e um senso crítico que não deixa passar um detalhe! 

Ele é o fio condutor que une décadas de eventos monumentais da nossa terra, mas não o faz apenas com palavras. Nestor é um guardião de tesouros físicos; ele é o homem que salvou fotografias, recortes de jornais e, o que mais me fascina no momento, um acervo riquíssimo de publicidade cinematográfica que faria qualquer diretor de Hollywood chorar de emoção.

Sentar para conversar com ele é como assistir a uma sessão contínua de cinema, onde a tradição oral se mistura aos fatos. E aqui entra a beleza da coisa: contadores de histórias como o Edward Bloom, daquele filme fantástico Peixe Grande, ou o nosso inesquecível Pantaleão de Chico Anysio, nos ensinaram que a veracidade histórica é um detalhe menor perto da “verdade do coração”. Quando o Pantaleão contava seus absurdos e a Terta confirmava com o famoso bordão “Verdaaaaade!”, ele não estava mentindo; ele estava dando licença poética para que a vida fosse mais colorida do que ela realmente é. 

Os sábios de várias culturas, como os Griôs (guardiões da tradição oral, memória e ancestralidade em comunidades africanas) e os mestres tradicionais sabem que passar a mensagem — a lição, o sentimento — é o que realmente eterniza uma biografia.

Nestor Leme opera nessa mesma frequência lírica. Ele entende que, enquanto a ciência busca o que aconteceu, a alma quer saber o que aquilo significou. Por isso, ele não guarda apenas papéis; ele guarda a luz daqueles momentos. 

E é justamente para honrar esse “Forrest Gump serrano” e seus tesouros que estamos preparando algo especial no museu. Imagine poder ver, projetado em telão, o marketing de guerrilha de estúdios como Paramount e Columbia que o Nestor preservou por tanto tempo.

Fica aqui o meu convite, quase um sussurro de bastidores, para quem quiser mergulhar nessa Era de Ouro do Cinema conosco. No dia 9 de março, uma segunda-feira, às 19h, abriremos as portas do Museu ReArte para uma palestra e exposição onde o Nestor será, como sempre, o nosso guia por esse labirinto de memórias. 

Porque, no fim das contas, a gente descobre que a história não é feita de papel, mas de gente que, como ele, insiste em não deixar o brilho dos nossos olhos apagar. 


Henrique Vieira Filho Administrator

Henrique Vieira Filho é artista visual, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “Sociedade Das Artes” (SNIIC: SP-21915), diretor de arte, produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTB 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP) e terapeuta holístico (CRT 21001).

http://lattes.cnpq.br/2146716426132854

https://orcid.org/0000-0002-6719-2559

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