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Existe uma linhagem de guardiões do saber que não usam luvas brancas e jalecos, mas que carregam pastas de arquivos e uma memória de causar inveja a qualquer computador de última geração! São os que eu gosto de chamar de Arquivistas da Alma Humana!
Enquanto a história oficial, aquela dos livros didáticos, se perde em datas frias e assinaturas burocráticas, esses mestres da narrativa entendem que o que realmente importa é o “causo” — aquela experiência que humaniza o passado e o impede de virar apenas estatística.
Em Serra Negra, temos o nosso próprio “Forrest Gump”, e ele atende pelo nome de Nestor Leme. Mas, veja bem, o paralelo para por aí: ao contrário do personagem de Tom Hanks, o Nestor tem uma mente afiada como uma navalha e um senso crítico que não deixa passar um detalhe!
Ele é o fio condutor que une décadas de eventos monumentais da nossa terra, mas não o faz apenas com palavras. Nestor é um guardião de tesouros físicos; ele é o homem que salvou fotografias, recortes de jornais e, o que mais me fascina no momento, um acervo riquíssimo de publicidade cinematográfica que faria qualquer diretor de Hollywood chorar de emoção.
Sentar para conversar com ele é como assistir a uma sessão contínua de cinema, onde a tradição oral se mistura aos fatos. E aqui entra a beleza da coisa: contadores de histórias como o Edward Bloom, daquele filme fantástico Peixe Grande, ou o nosso inesquecível Pantaleão de Chico Anysio, nos ensinaram que a veracidade histórica é um detalhe menor perto da “verdade do coração”. Quando o Pantaleão contava seus absurdos e a Terta confirmava com o famoso bordão “Verdaaaaade!”, ele não estava mentindo; ele estava dando licença poética para que a vida fosse mais colorida do que ela realmente é.
Os sábios de várias culturas, como os Griôs (guardiões da tradição oral, memória e ancestralidade em comunidades africanas) e os mestres tradicionais sabem que passar a mensagem — a lição, o sentimento — é o que realmente eterniza uma biografia.
Nestor Leme opera nessa mesma frequência lírica. Ele entende que, enquanto a ciência busca o que aconteceu, a alma quer saber o que aquilo significou. Por isso, ele não guarda apenas papéis; ele guarda a luz daqueles momentos.
E é justamente para honrar esse “Forrest Gump serrano” e seus tesouros que estamos preparando algo especial no museu. Imagine poder ver, projetado em telão, o marketing de guerrilha de estúdios como Paramount e Columbia que o Nestor preservou por tanto tempo.
Fica aqui o meu convite, quase um sussurro de bastidores, para quem quiser mergulhar nessa Era de Ouro do Cinema conosco. No dia 9 de março, uma segunda-feira, às 19h, abriremos as portas do Museu ReArte para uma palestra e exposição onde o Nestor será, como sempre, o nosso guia por esse labirinto de memórias.
Porque, no fim das contas, a gente descobre que a história não é feita de papel, mas de gente que, como ele, insiste em não deixar o brilho dos nossos olhos apagar.
Henrique Vieira Filho é artista visual, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “Sociedade Das Artes” (SNIIC: SP-21915), diretor de arte, produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTB 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP) e terapeuta holístico (CRT 21001).

Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “Sociedade Das Artes” (SNIIC: SP-21915), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), professor de artes visuais, pós-graduado em psicanálise e em perícia técnica sobre artes.
http://lattes.cnpq.br/2146716426132854
https://orcid.org/0000-0002-6719-2559
Contando com cerca de 60 exposições entre individuais e coletivas, em galerias, polos culturais e museus em diversos países, suas obras estão disponíveis tanto em galerias consagradas, como a Saatchi Art, quanto em sua galeria própria, a Sociedade Das Artes, até os mais singelos espaços alternativos.
Atualmente radicado no interior de SP, dedica-se, em especial, ao Slow Art Movement, que prega a apreciação afetiva, “sem pressa” das artes, para todas as camadas da sociedade e ao Projeto Re Arte, em que abre espaço a novos talentos artísticos e à integração das mais diversas formas de artes, por meio de mixagem e releituras.
Editor, autor, pesquisador e parecerista nos periódicos Artivismo (ISSN 2763-6062), Revista TH (ISSN 2763-5570) e Holística (ISSN 2763-7743), conta com centenas de artigos publicados e vinte livros, além de colaborações, entrevistas e consultorias para Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, Diário Popular, Jornal O Serrano, Revista Elle, Revista Claudia, Revista Máxima, Revista Veja, Revista Planeta, Revista Capricho, Revista Contigo, Revista Saúde, Revista Boa Forma, Rádio Globo, Rádio Gazeta, Rádio Eldorado, Rádio Nova, TV Globo (Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, Fantástico, etc.), TV Gazeta (Telejornal, Mulheres, Manhã na Paulista), TV Record, SBT (Telejornal, Jô Soares Onze e Meia, etc.), TV Jovem Pan (Telejornal, Opinião Livre, etc.), TV Cultura, TV Bandeirantes, Rede Mulher, TV Rio.